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Estatuto Editorial

Primeira edição do Jornal O Dever, 2 de junho de 1917, pelo Diretor, Editor e Administrador Pe. João Vieira Xavier Madruga.

 

“Quem não é comigo é contra mim

O Dever

Nesta hora de apregoada civilização, em que tanto se falla em direitos do homem, em liberdades individuaes e em regalias do povo, e em que a sociedade contemporânea toda se ressente duma errada educação mental, julgamos cumprir uma obrigação sagrada falando um pouco de DEVERES, que educando o pensamento, dão à vida grandezas, austeridade e sentido.

Não tem DIREITO à vida, quem desconhece que ella importa o sublime DEVER de sacrificá-la a um ideal de perfeição própria e no máximo aproveitamento colectivo.

E para nós, o maior de todos os deveres é o dever religioso, de que nascem todos os deveres de ordem moral, que mais que nenhum outro, assignalam a cada homem a excellencia da sua vocação divina, origem e fim.

Como não acreditamos que haja, entre os inimigos da fé catholica, mais que uma rematada ignorância das verdades primeiras da religião, que esqueceram ou totalmente desconheceram, entendemos ser nosso imperioso dever pôs ao serviço da Verdade, divina e imortal os minguados recursos de que dispõe a nossa insignificância, para os colocar ao serviço de algum raro leitor que tenha a paciencia de noa ler.

Do que podemos certifica-lo é que, à falta de melhor, dispomos duma inquebrantável vontade, escudeia numa fé esclarecida no estudo e na reflexão, a tudo suportar pelo triumpho da Causa sagrada a que tantos motivos nos convidam e atrahem.

*

É para o povo o nosso pequeno semanário: a elle o destinamos particularmente, com a mira no interesse da verdade da doutrina e com os olhos postos na obra urgente da christianisação da família.

E aos que nos perguntassem pelo nosso programa, diríamos tão somente que lessem as palavras que encimam estas linhas, para que sempre tivessem presente o que queremos e qual o pensamento dominador dos nossos esforços.

É o dever que nos chama, é o dever que temos de cumprir perante a sociedade e perante Deus, sem outro intento que servir a Igreja, de quem somos filhos submissos e concorrer para o engrandecimento da Patria, pela humilde parcela de trabalho com que desejamos ver acrescidas as reservas moraes do thesouro riquíssimo da tradição nacional.

*

E a nossa política?

Nada somos, nada queremos ser e nada seremos, a não ser portugueses.

Portuguêses crentes, herdeiros dum precioso legado de fé, só pensamos valorisá-lo para transmití-lo intacto e livre a esta geração que nos vai suceder.

Oxalá podessemos auxiliar aquelles que, como nós e mais que nos, tem o dever de educar na moral e na virtude os filhos duma opocha prestes a desaparecer.

TODA a política que estorvar a liberdade da Igreja e a livre expansão do culto catholico encontrará em nós rude mas leal reprovação. Ao contrário, toda a política que, estimulando eflorescência divina da crença religiosa, simultaneamente nimbar a fronte da Pátria com a luz de novas glorias por mercê da ordem, da fraternidade e da paz entre os membros da sociedade, terá o nosso apoio e a nossa mais desinteressada sympathia.

E agora com os olhos em Deus, caminhemos!...”

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